História da Biblioteca Nazionale Marciana

A Biblioteca Marciana vista do Palazzo Ducale, na Piazza San Marco, o ponto mais nobre de Veneza. foto: Maria Schnitzmeier
Em 1362 Petrarca propôs que fosse criada uma biblioteca pública em Veneza. O projeto não se realizou e após sua morte, sua biblioteca pessoal foi doada aos Da Carrara, importante fámília de Pádua.
O primeiro acervo da biblioteca pública data da doação do cardeal Bessarion, que entregou os seus livros à República de Veneza em 31 de Maio de 1468. Em seguida, as coleções da biblioteca enriquecerem graças a inúmeras doações, bem como por incorporação de outras bibliotecas da cidade e da República.
Uma parte valiosa das obras veio de Constantinopla depois da cidade ter sido tomada pelos otomanos: isto fez de Veneza o principal centro de estudo dos clássicos gregos, atraindo muitos humanistas. Um certo número reunia-se em volta de Alde Manuce na Academia Aldina.
Em 1603, uma lei entrou em vigor, impondo a todos os impressores de Veneza o depósito de uma cópia de cada obra à Marciana. Esta última torna-se assim a biblioteca central da República. Depois da queda da República, as colecções dos estabelecimentos religiosos, suprimidas por Napoleão foram para a Marciana.

:: A Biblioteca Nazionale Marciana e a estátua de São Teodoro na extremidade da Praça São Marcos. foto: Gary Houston
Bessarion colocara uma condição aquando do legado dos seus livros: que eles fossem conservados num lugar apropriado. Veneza não respondeu de imediato a esta exigência do cardeal. A biblioteca foi primeiro instalada num edifício da Riva degli schiavoni, e depois na Basílica de São Marcos, e por fim ao Palácio dos Doges.
Foi apenas em 1537 que se determinou a construção de um palazzo della libreria (palácio da biblioteca), na praça de São Marcos. O projecto foi confiado a Jacopo Sansovino. Os trabalhos continuaram até 1546 e a biblioteca foi transferida em 1553. O edifício não terminou, no entanto, senão em 1588: os últimos trabalhos foram conduzidos por Vincenzo Scamozzi, depois da morte de Sansovino em 1582.
Contribuíram entre outros na decoração Tiziano, Veronese, Alessandro Vittoria, Battista Franco, Giuseppe Porta, Bartolomeo Ammannati e Tintoretto.
Em 1811 a biblioteca foi transferida para o Palácio dos Doges e não voltou à sede histórica senão em 1924. Os edifícios ficaram demasiado pequenos e a biblioteca ocupa hoje a fabbrica della Zecca, além do palazzo della libreria.
A Biblioteca Marciana nos dias de hoje
O valioso acervo da biblioteca atualmente inclui:
1 000 000 de obras impressas antigas e modernas
2 283 incunábulos
13 000 manuscritos
24 055 livros do século XVI
As obras mais conhecidas são dois códices da Ilíada, o Homerus Venetus A (século X) e o Homerus Venetus B (século XI).
Encontra-se também na Marciana a Cronologia Magna de Fra Paolino, manuscrito de Plínio, cópia de 1481 que pertenceu a Giovanni Pico della Mirandola ,bem como uma cópia do primeiro livro impresso em Veneza, o Epistolae ad familiares di Cicerone de 1481. Também estão lá numerosas edições aldinas, uma rica coleção de cartas e de atlas (incluindo uma cópia do mapa-múndi de Fra Mauro), etc.
A biblioteca também abriga 56 volumes de diários de Marin Sanudo, uma das fontes mais importantes da história de Veneza entre 1496 e 1533. Um tesouro especial da biblioteca é uma coleção abrangente de Aldine.
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